Intelligence, Humanity and Courage

Bom meus queridos amigos amantes do Divã. Vou fechar aqui o que tenho a dizer sobre Humanidade e Humanidades, com uma pérola de sabedoria do meu livrinho favorito dos ultimos tempos. Num post anterior elaborei um bocadinho o que para mim eram as humanidades e o espirito humanista: libertar a força de trabalho do espírito de quaisquer tiranias e deixar a mente à vontade para explorar; utilizar as ideias como "ferramentas", utensílios, e não subjugar o Território ao Mapa - para que o Homem atinga o tão almejado e quimérico Relax Total: Gozar.
Na citação seguinte está tudo o que acho que faltava; a Humanidade como compaixão, amor e abnegação, inserida numa trindade com a Inteligência e a Coragem, no contexto do homem ordináriamente virtuoso; simplesmente isso, sem a sequestrar em nenhuma ideologia. Então cá vai disto, directamente do Japão no século XVIII para o psychodynamics.
Na citação seguinte está tudo o que acho que faltava; a Humanidade como compaixão, amor e abnegação, inserida numa trindade com a Inteligência e a Coragem, no contexto do homem ordináriamente virtuoso; simplesmente isso, sem a sequestrar em nenhuma ideologia. Então cá vai disto, directamente do Japão no século XVIII para o psychodynamics.
The combining of these three virtues [Intelligence, Humanity and Courage] may seem unobtainable to the ordinary person, but it i easy.
Intelligence is nothing more than discussing things with others. Limitless wisdom comes from this. Humanity is something done for the sake of others, simply comparing oneself with them and putting them in the fore. Courage is gritting one's teeth; it is simply doing that and pushing ahead, paying no attention to the circumstances.
Intelligence is nothing more than discussing things with others. Limitless wisdom comes from this. Humanity is something done for the sake of others, simply comparing oneself with them and putting them in the fore. Courage is gritting one's teeth; it is simply doing that and pushing ahead, paying no attention to the circumstances.
Anything that seems above these three is not necessary to be known.
Yamamoto Tsunetomo, Hagakure, pagína 66.
Abraços, e até breve.

20 Comments:
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12:55 a.m.
Esqueci-me dum pormenor... gostei do texto vindo directamente do Japão... boa malha Nuno! Têm conteudo... Já agora deixo-te uma questão no ar... como se pode atingir um gozo máximo?
Eu acho que parte da resposta reside na palavra sofrer um pouco... se nunca tivermos sede como iremos saber o quão bom e matar a sede com um copo refrescante de água? Será a minha visão demasiado limitada a um único lado do prisma??
1:06 a.m.
Não sei Ivo, sinceramente, é questão de praticar, ir praticando, não desistir.
Gozo não tem muito a ver com sofrer, alívio tem, mas Gozo não me parece.
É uma coisa interessante para averiguar em termos de neurociências talvez. Os centros e processos do Gozo e os do Sofrimento.
Tenho a ideia que são diferentes.
Mas para o gozo ser total tem de estar livre de culpa. Assim o gozo sobre a dor dos outros não é gozo total, isso posso-te garantir.
Fazer coisas que dão prazer a nós e aos outros pode-se ir aproximando. Como disse acima é questão de praticar. O gozo dá trabalho. Muito trabalhinho.
Bom a para manter o espirito oriental, deixo aqui um pequeno texto de Zé Elians Nunes
Pensamento
Só há uma coisa que permite ao pensamento emergir de um mar de sofrimento:
O não-pensamento submerso num mar de prazer.
12:55 a.m.
Gostei imenso dessa tua intervenção Bruno. Aprendi imenso, deu-me gozo!
Bem vista a diferença entre necessidade e desejo. Aquilo de que socrates falava quando dizia que prazer e ausência de dor estão invariavelmente ligadas penso que está errado.
São dois sistemas diferentes provavelmente, no harware da mente e do corpo.
Socrates era bom a perguntar e a destruir crenças, talvez menos bom a sistematizar outras crenças...
Bom, eu queria também dizer que a ausência de culpa tem dois ou três gumes.
1) Inocência e ausência de "pecado". Não concordo. O Gozo é por natureza pecado, porque a Igreja sempre quis controlar o Gozo das suas ovelhas. Disciplinar a sua libido para a neurose colectiva.
Muito do Gozo (mas nao todo) costuma ser pecado, e dar prisão, fogueira, reprimendas, anátemas e o diabo a 4.
2) Ausência de culpa por negação da culpa. Os psicopatas e os caracteriais tiram imenso gozo de coisas horrendas como fazer sofrer os outros e destruir. isto para mim é gozo, lá esta, ausência de culpa + vitalidade= gozo, mas a prazo leva ao Horror e à Culpa insopurtavel. Para mais, Gozo de que falo é uma "energia" livre, e portanto o verdadeiro Gozo é relacional, circula, é contagioso.
3) Ausência de Culpa (e outras formas de medo) por libertação das tiranias internas. Esta sim é para mim a porta para o Gozo.
Gozar é natural e fica bem (como o Restaurador Olex).
A neurose instala a Culpa e a Repressão no gozo, de forma doentia e estúpida. A neurose é aproveitada por estruturas sociais para poder parasitar força de trabalho de pessoas e seus espiritos.
Gera-se um ciclo vicioso.
Os caracteriais no topo da estrutura social Gozam, não sentem culpa, mas é um gozo caraterial e psicopata (2).
Os submissos e explorados sofrem, mas pior que isso,
dentro da sua mente, o sistema discursivo alimenta a culpa, a culpa de estar a Gozar.
Bardamerda com isto. Eis a porta para o Gozo.
É arriscado, é perigoso.
Sim. é.
O Gozo roça a Morte, despreza a Morte. Porque Dá Vida.
acho eu de que.
12:28 p.m.
Oferecer, partilhar, dá imenso Gozo. Fazer circular coisas positivas.
Então se as zonas erógenas estiverem envolvidas a coisa vai aos píncaros.
Entrando nesta àrea mais "naughty", um bocadinho de dor de vez em quando não prejudica, antes pelo contrário.
Bom, adiante.
Sobre a proibição do Gozo pelas Igrejas.
Lembram-se d'O Nome da Rosa? O Riso era proibido. e quem lesse aquele livro sobre o Riso Divino era envenedado...Pois.
Rir dá Gozo, o gozo faz rir.
Gozo de descobrir, gozo de ir e vir.
Bom.
Para rir é preciso estar bem, é preciso relaxe. O relaxe dá trabalho.
12:46 p.m.
Quando falo em "Igrejas" estou-me também a referir aos Partidos e às ideologias totalitarias, e não retiro uma palavra do que disse aqui em relação a socialismos e marxismos leninismos e MauMauismos, e tudo isso.
Falo em estruturas sociais verticais, com autoridade "fechada", controlada por elites e oligarquias, sejam elas quais forem, desde a chungaria até à Nobreza mais fina.
A autoridade e a informação, a Agencia, tem de circular e ser aberta, deslocalizada, combinar vertical (centros de controle) com horizontal (partilha, democracia, etc).
É assim que as coisas se fazem na natureza, é assim que funcionam, é assim que brilham.
Ainda que exista Deus, ou deuses, eles fizeram o mundo e depois ficaram a olhar. A coisa move-se por si propria.
Auto-organização, emergência, transformação.
1:03 p.m.
Só mais uma.
FAZER BLOGS DÁ IMENSO GOZO! :)
E nisso os 3 estamos de acordo.
Qual é que é morada do teu blog outra vez, ó Ivo, para agente ir lá mandar uns bitates e atormentar as consciências adormecidas.
:)
11:04 p.m.
Não fui bem entendido... vou passar a explicar de novo, e desta vez de forma mais clara...
A questão é a seguinte e de forma bem antónima para voces perceberem...
Como sei o que é bom se nunca tiver passado por coisas que foram más... não serão as coisas boas muito melhores quando vivemos as más primeiro? É tudo uma questão de amplitude e de tocar os extremos... ir da Amadora a Lisboa são 7kms... mas se formos pelo outro lado do mundo e dermos a volta para chegar a Lisboa então a viagem será de milhares de Kms!!!
Diferentes maneiras de chegar ao gozo... ou neste s caso a Lisboa... façam a transposição...
Um texto para o pessoal... entedam lá isto... como quiserem...
"Mas é certo que os momentos que passamos esperando pela felicidade são muito mais agradáveis do que os momentos coroados pelos gozos de felicidade."
Oliver Goldsmith
12:57 a.m.
Esse Goldsmith é neurótico dos sete costados!
Que parvoíce tão grande!
Ivo, tu é que não percebeste. Já Sócrates dizia isso que tu disseste. Apesar de ter uma certa razão, é o mesmo que dizer que o prazer de um bom vinho só se conhece quando se está com sede!
Tolice.
Sede mata-se com água. É um gozo beber água quando se está sequiso.
Mas o vinho,a cachaça, não é água
"se pensa que cachaça é água..."
O que eu estava a querer dizer é que o alívio da dor é diferente do prazer.
Apreciar um bom vinho, um BOM VINHO, é Gozo. Em boa companhia mais Gozo, com um bom queijo, mais Gozo, com uma noite amena, mais Gozo. Por aí adiante.
Patamares de gozo-
Onde é que já ficou o alívio da dor da sede?
Ficou bem lá para trás.
Justificar o Gozo e o prazer com dôr é mais umam estratégia de não Gozar e ficar focado na dor, na nossa e na dos outros.
Ficar à volta da dor e do sofrimento para aliviar a culpa neurótica de estar a "pecar" (gula, preguiça, luxúria) e o medo de REBENTAR de Gozo.
O medo de morrer de tanto gozar, pois o gozo pode ser perigoso e arriscado, por várias razões.
O Gozo dá trabalho, não é apenas uma ejaculação precoce de alivio da dor.
2:16 p.m.
E agora em resposta ao amigo Goldsmith, aqui vai um ditado de
Geraldo Gouveia
"Se o Papa de Roma soubesse o gosto que a cana tem, deixava Roma sem Papa e bebia a cana também."
---
esta é pro Bruno:
O não-pensamento é um conceito Taoista e Zen, muito bem visto por ti, a suspenção de busca cognitiva.
O Fruir directo, liberto de representações e avaliações socio-cognitivas. O Bicho puro, intuição.
O que o Zé Elias diz é que esse sistema tem de estar mergulhado num mar de prazer, de consolo, de segurança, de relaxe e de gozo, para que quando o mar de sofrimento inunda o ser, o pensamento possa emergir.
Um pensamento pensável.
2:32 p.m.
Opinar todos podemos... respeitem-se... Cada qual têm a suas opiniões não acham?
2:32 p.m.
MAIS UMA ANALOGIA:
és puto e estás na praia, cheio de calor, dói. dás um mergulho, é bom, alívio.
A seguir a maré começa a subir, vem as vagalhonas...já não tens calor, mas queres apanhar uma carreirinha duma onda bigalhona.
é perigoso, mas apanhas a onda, nadas, metes-te no meio dela, estás UM com a onda, a espuma entra-te pelos ouvidos e pelos calções, já não sabes onde estás, vais dar à areia, a adrenalina bomba, tens vontade de rir e sentes uma gratidão, um veneração respeitosa pelo mar. Gozaste.
a tua mãe e o teu pai ralham-te pelo que fizeste, sobreviveste mas sabes que vais fazer mais vezes.
2:44 p.m.
Ora bem agora que a verdadeira dinamica deste blog esta a ser atingida permitam a minha intervenção mais uma vez...
Ok... gozo é uma coisa
Satisfação e outra!
Tudo bem eu até posso aceitar, mas digam-me uma coisa e vou dar mais um exemplo antes de me passar, agora diga-me uma coisa, e sem querer ser bruto, se chegarem numa tarde de verão a uma explanada depois de uma corrida sob um sol abrasador, não me digam que não vai dar muito mais gozo beber uma bela cervejinha porque estão extasiados de sofrimento e a vossa goela anseia uma cervejinha... o GOZO não será muito maior?
Tipo gaijas boas e gaijas com tonelada e meia de prazer... tipo tão a ver? é como se a palavra sofrimento que não se pode adquar a todos os tipos de situações, pois um gajo só sabe o quão bom e fazer amor depois de experimentar... mas falo de a palavra sofrer... experimentar o oposto como um ampliador , um adjectivo que carrega muito mais a palavra e todo o sentido do que vêm dentro dela... neste caso GOZAR... desculpem... mas se eu estiver um ano sem dar uma(credo!!!) vai saber muito melhor do que dar outra passado 20 min... não acham? Pois um ano é muito sofrimento mas depois o gozo iria ser outro... ou será que falo chinês?????
Já agora... demagogias não!!! já me basta o Pedro santana Lopes ou um Paulo Portas... portugues se faz favorCurto e sintectico!!!
1:54 a.m.
Ao Ivo.
Bom. 20 anos sem dar uma é tristeza...dar uma 20 minutos depois sa primeira é que está certo!
11:01 a.m.
Gostava de ter lido o que foi escrito...e que apagaram...eu não fiz nenhum comentário anónimo!
2:28 p.m.
bem... estou a ver que nunca um blog teve tanto comentário... eheheheh.. Nunaz.... não te conheço mas adorava... dia 7 de agosto vou passar em londres por umas breves 5 horas numa escala para o canadá talvez ainda um vá ai beber um copo! eheheh Agora digam lá que isto não está animado? hein?
10:51 p.m.
Bom, vou tentar clarificar melhor o que quero dizer com "não-pensamento" porque está pouco claro e pode ser confundido com coisas ocidentais, como "passagem ao acto" e outros elementos BETA.
A minha ideia de "Não-pensamento", a qual está indicada naquela historieta do José Elias, está ligado ao conceito Taoista de "não-acção". Isto quer apenas dizer, "não-controle mental, egóico, sobre o que se está a fazer" e
suspensão da intenção egóica.
Não pensamento e não acção estão pois ligadas à dissolução do Eu, que é na tradição oriental nada mais do que uma trama de ilusões, ignorância e complexos inconscientes, Maya, uma trama de representações erróneas (como todas as representações) sobre o Real.
Assim, o não pensamento é o lugar da dor pura e do prazer puro, dos afectos instintivos. É o lugar do consolo ou da ferida ansiosa infectada, o desamparo e o terror.
O não-pensamento submerso num mar de prazer significa ter-se atingido algures um consolo ao nivel da dissolução do eu. Isso dá a possibilidade ao Pensamento de emergir quando o Eu está confuso e a sofrer por desapontamentos, desejos não satisfeitos, fome de objectos, etc.
Este estado de consolo é quanto ao mim atingido inicialmente numa relação de cuidados precoce suficientemente boa (Winicott), na qual os sistemas primitivos, mamalianos, do cérebro atingiram o Gozo...
Só assim é possivel que o pensamento emerja, para além do impulso egoico de controlar o real, que é sempre fadado ao fracasso, à desilusão e à dor desnecessaria!
a cada fase de transformação da vida, somos de novo bebés: desamparados, sem perceber nada do que se está a passar, como medo de morrer e de ficar sozinhos.
Então a cada fase de transformação necessitamos de atingir o mar de prazer com o não-pensamento e a não acção Taoista, para podermos pensar.
isto pode ser atingido tanto com amor e consolo de alguém, como com actividades comtemplativas, ou seja formas de não-acção, acção sem objectivos, sem controle racional-egoico, prazer puro (toda a forma de arte, p. ex)
Caso contrario, na minha opinião, não se trata de verdadeiro pensamento, mas de manutenção de esquemas de rotina egoicos, manutenção de mapas cognitivos desadequados à nova situação ecológica com o ambiente.
Não se trata de pensamento, mas de certa maneira, defesa obsessiva, maníaca, para manter a ilusão de controle.
Pensar é também destruir pensamentos. rasgar mapas velhos.
Pensar é também contruir mapas novos, desenhar novos pensamentos.
Mas para construir mapas novos, para termos tomates para nos defrontar com os territórios desconhecidos, temos de ter um chão sólido: esse chão é que seria o não pensamento mergulhado num mar de prazer, gozo e consolo.
12:05 p.m.
Very interesting
12:11 p.m.
Pois... alguem viu as renas almiscaradas e o pai natal?
2:47 p.m.
Han?
12:33 a.m.
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